Thursday, January 04, 2007

busca

são tantas as palavras: tanto sangue, tanta terra. o caminho que me trouxe aqui foi longo - reconheço, foi longo, não posso virar o rosto; caminho árduo. poxa, até Baden disse, e se até Baden disse, tenho de crer. creio. é tanto peso, tanta dor - tenho certeza, Baden sentiria menos, ou pouco. gotas, ouço uma música a falar de gotas e rosas e pássaros; a música fala de uma chuva, boa. ela disse que um dia a procuraria. tenho certeza, a procuraria mesmo se não mais existisse chuva. nasci destinado a fazer tudo de errado com meus presentes, a nunca aprender com os carrinhos queimados nas encenações de guerra; nasci entre guerras. hoje, escrevo cartas pedindo cartas de boas notícias. estou longe, onde vejo sangue, terra e cartas, nunca lidas. as cartas não serão lidas. a pergunta é: sabendo da guerra, do sangue e das cartas, saberei eu pisar a terra? e quando pisar, terei como evitar a dor? pé ante pé a evitá-la, e a dúvida seguiu-me. e já não bastam as gotas, as rosas, ou os amores das madrugadas que teimam em ir até mais tarde; do dia sem fim bebo a magnitude, no fim da noite dou adeus à aurora e perco o sono, acordado entre estranhos perdidos em suas próprias nações, perdido em nacões de estranhos em meu próprio sonho. queimo os carrinhos e delicio-me com as chamas. e eis que chega, em silêncio e de roupas limpas:
- muito prazer, Crueldade.