Tempos de seca e uma puta culpa de estar desperdiçando água além do necessário. Nesse cenário de crise, faz-se o que se pode: banhos rápidos, louça no escorredor ainda com sabão (igualzinho à Bélgica), aproveita-se a água da máquina para limpar o quintal. Até aí tudo certo, mas e as plantas? Temos em casa (moramos em um sobrado) uma porrada de plantas, e são exatamente elas que precisam ainda mais de água nesses períodos secos — se não fossem por elas, estaríamos enfrentando também crises de asma e afins.
Para a rega vínhamos coletando, já a algum tempo, águas de chuva da maneira mais mambembe possível: colocávamos um tambor de 120 L, desses de lixo mesmo, embaixo de uma telha que formava uma cáscata a cada chuva forte, e utilizávamos essa água retirando direto do tambor com um regador. Além de muito pouco prático, ainda era pouco. Aí a Lu falou: por que não montamos uma cisterna? Ora pois, é verdade — por que diabos ainda não montamos uma cisterna? Ou melhor, logo duas?
Mais uma para a série Objetos Clandestinos: cisternas para captação de água
de chuva que aproveitam a instalação das calhas do telhado, usando bombonas alimentícias e peças variadas de hidráulica, numa solução simples e barata. O projeto é do site
Sempre Sustentável (link direto). Criativo e bastante didático, requer um certo trabalho para deixar no jeito. Mas funciona, estamos com duas no quintal que já estão enchendo. Além das cisternas, o site apresenta outras engenhocas sensacionais, vale a pena explorar.
O projeto básico segue o diagrama abaixo:
No site tem várias informações, do manual para a montagem do zero, até dicas de tratamento e locais para aquisição das bombonas (os tambores que vão armazenar as águas de chuvas). Disponibilizam também uma lista de material com todos os itens que devem ser adquiridos (comprei tudo na
Alviro Malandrino, na rua Clélia nº 1923, porque era perto de casa, mas qualquer casa de hidráulica tem todos os itens). Não tem erro, dá pra comprar sem pensar muito. Se seguir o projeto à risca, não vai ter desperdício.
Na sequência, algumas fotos do processo de montagem — longe de ser um guia, foi mais para registrar o trampo mesmo. Adaptei algumas das soluções que o manual indicava, para aproveitar melhor as ferramentas que eu já tinha. Outras ferramentas foram adquiridas para facilitar a construção, mas a estrutura básica do projeto foi seguida fielmente e dá pra fazer sem grandes investimentos.
Mesmo com as cisternas já em funcionamento, não deixaremos de coletar com o velho sistema mambembe e pouco prático do tambor embaixo do telhado. Mesmo não sendo uma solução ideal, 120 L de água para a rega não é de se jogar fora.
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| Itens comprados: quantidade dobrada, para montagem de duas unidades. |
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| Gabarito para cortes em 45º: montado com sobras de pallet e pregos, com vão de 75mm. |
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| Gabarito para cortes em 45º. |
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| O gabarito também serve para apoio aos cortes retos. |
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| Puta curvatura linda na foto, todo torto na vida real: é treta cortar retinho, mesmo com gabarito. |
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| Aparato para fazer as bolsas de encaixe nos canos. |
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| Peça já com as bolsas feitas: parte chata — e quente — do processo. |
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| Medição para corte: usei uma fita métrica pra riscar o mais reto possível na curvatura do cano. |
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| Corte c/ estilete quente: devo ter perdido uns minutos de vida com a fumaça. Recomendo máscara. |
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| Corte já arredondado, também com estilete quente. Acabamento com lima fina e lixa. |
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| Colagem (solda) do bico no filtro autolimpante: tem que ficar segurando na posição, mas seca rápido. |
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| Parte superior do filtro autolimpante. |
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| Bico colado no filtro autolimpante. A cola dá barato, melhor não respirar em cima do que for colado. |
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| Reforço de Durepox no filtro autolimpante: com um pouco de água dá pra alisar a massa. |
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| Peças para montagem da tampa do separador de águas de chuva. Limas grossas: meia-cana e circular. |
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| Puta trampo: vazava, entupi de cola e ainda ficou meia-boca. |
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| Peças prontas do filtro autolimpante e do separador de águas de chuva: tinta spray para plásticos. |
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| A estrela do show: bombona de 240 L, de uso alimentício (azeitonas). |
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| Serra-copo 73mm e lima grossa p/ acertar — casca alinhar os furos. |
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| Corte do sistema de ladrão. O estilete começou a ir pro saco aqui. |
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| Orifício do ladrão cortado com estilete quente — finalizei com máscara, recomendo muito. |
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| Colagem de barreira no sistema de ladrão. |
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| Reforço de Durepox na barreira do ladrão — tá tudo explicado no projeto. |
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| Peça redutora de turbulência: um cano, um "T" e dois joelhos 90º |
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| Teste de montagem do sistema de entrada, redutor de turbulência e ladrão. |
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| Detalhe do redutor de turbulência — fui testanto a montagem ao longo do processo. |
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| Teste de montagem do mecanismo completo. |
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| Furação para orifício de desinfecção — o projeto explica sobre isso também. |
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| Plugue do orifício de desinfecção. Aqui não tem perigo de Dengue ou Chikunseiláoquê. |
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| Furação e flange para instalação da torneira. Aqui o projeto dá soluções diferentes, é só escolher. |
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| Torneira instalada e flange reserva já tampada. |
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| Montagem do suporte com 45-47 cm. Base de MDF ("catado") e pés de pontalete 7x7cm. |
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| Detalhe do sistema de filtro e separador já instalado: a parede pagou o pato. |
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| Filtro já instalado. Detalhe da rede em 45º, para eliminar resíduos sólidos. |
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| Cisternas prontas e instaladas, quase 500 L de capacidade — chuva, vem ninóis! |