Tuesday, March 27, 2007
veloz
a ânsia de passar o tempo, o desconforto; a velocidade que atinge os pés dos pedais incomoda; o medo de viver o momento e a falta de estímulo para deixar o agora ficar e passar. eu era perspicaz, sabia exatamente o momento de calar. mas a euforia dos novos dias, dos novos tempos, do novo tempo, fez-me mais rápido com as palavras e com as ações do que com as idéias. costumava ser útil ter idéias, tomar um certo tempo para refletir. não mais: a velocidade de um tempo veloz não dá valor às interpretações das idéias: a velocidade as quer realizadas sem sombra de dúvida. me perco e me acho; e me perco e me acho e me perco e me acho e me perco e me acho e me encontro passando por mim sem tempo pra dizer tudo aquilo que um outro encontrara. a velocidade das coisas. do tempo, posso e tenho como absorver frações de milésimos de segundos, ao mesmo tempo em que analiso, vislumbro e interpreto eras, anos-luz e infinitos. posso ser como aqueles de agora e posso como aqueles de outrora. posso, simples assim. mas o fluxo, o fluxo me leva enquanto durmo, quando pestanejo, assim que baixo a guarda; um fluxo intenso de ações, palavras e regras ditas e repetidas antes mesmo que pense estar num ventre. o silêncio está cada vez mais distante de mim. escuto, falo, escuto, falo, escuto, falo e não penso, propenso a um curso claro, lógico, estabelecido. para onde foi aquele silêncio que tão bem ouvia? o momento, onde diabos se meteu o momento? o hoje é um ontem sem memória, deslumbrado com o dia seguinte do amanhã.
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