Costumava escrever para ela.
Escrevia sobre ela.
Na verdade, escrevia sobre nós. Nunca para ou sobre ela.
Ela é radiante. Sua energia contagia a todos.
Ela é feliz. Uma felicidade que não se encontra fácil.
Ela é o que se vê, e isso é muita coisa.
Carrega o mundo nas costas. Sou parte desse mundo.
Angústias, desejos, escolhas, pessoas. Tudo pesa muito.
E caminha leve, quase flutua, como se o mundo caminhasse para ela.
Ela não saberia explicar de onde vem.
Diria que sabe para onde está indo.
Ela diria sim.
Sempre escrevi sobre mim.
Mesmo quando dela.
Ainda que para nós, era sobre mim.
Sou radioativo. Minha corrosão contamina.
Sou triste. Uma tristeza difícil de encontrar.
Sou o recôndito, e isso não é nem a metade.
Caminho ao largo do mundo. Ela faz parte desse caminho.
Angústias, desejos, escolhas, pessoas. Tudo pesa muito.
E carrego o peso, quase sucumbo, como se o mundo pesasse sobre mim.
Eu tentaria explicar de onde vim.
Não sei para onde vou.
Eu diria não.
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