Wednesday, December 20, 2006

Manifesto Curvinista

O bom curva não deixa o recinto antes do último curva: o bom curva, acompanha o último curva à padaria mais próxima, pede dois pães na chapa, um café e um toddy batido, pois o último curva, curvou.
O bom curva, chega tomando Brahma, vai embora tomando Brahma, dorme derrubando Brahma da latinha ou, em caso de curvisse extrema, segue orientação do curva penúltimo, mata o toddy batido em dois goles, entre um e outro engasga, escorrega o cotovelo no balcão e pede a saidera. O bom curva sempre pede a saidera.
O bom curva é honesto, mas mesmo sem recursos pede a terceira saidera e promete, à outro curva, que a curvisse do próximo dia – nos dai hoje – será paga por ele, o curva. O bom curva sempre paga a terceira saidera.
O bom curva não mede esforços ao curvar: esforça-se para não curvar mas, em respeito aos companheiros curvas, curva.
O bom curva pensa: medita e transcende pensando em como conseguir a próxima Brahma, pois seus companheiros, os curvas, esperam sedentos o reencontro com o caminho da embriaguez. O bom curva sempre pensa em seus companheiros curvas.
O bom curva não se preocupa em voltar. A ele interessa apenas chegar, de preferência, com uma meia dúzia de Brahma em mãos, pois sabe que enquanto houver gelo há esperança.
O bom curva é solidário: presta
sempre serviços de carona ao companheiro curva desprovido. Após 17 tentativas, reconhece que a chave de seu Fiat nunca abrirá a porta de um Volkswagen e sai à procura de seu verdadeiro veículo; dá a partida, aperta o cinto, verifica se o companheiro curva está igualmente seguro e, após alguns totós, sai da vaga. Fecha um olho e segue o caminho do meio, pois curva que é curva, depois da curvisse, sempre enxerga três ruas.
O bom curva, depois de uma boa curvisse, não volta pra casa a mais de 40 km/h. O bom curva preserva sua integridade, bem como a de seus companheiros curvas.
O bom curva caminha, caminha e caminha em direção à brahma mais próxima, pois que sem combustível, um bom curva não curva.
O bom curva é íntegro, bebe apenas Brahma - pelo menos até a décima terceira garrafa. Depois disso, se outro curva lhe oferece Kaiser quente, em respeito ao curva, bebe, pois curva que é curva, curva.
O bom curva causa, mas atende aos pedidos dos companheiros curvas para pegar leve quando, em cima da mesa, com a camisa em uma das mãos e uma garrafa respingante na outra, grita para a Sibéria ouvir que o time do bragantino de 72 tinha o melhor ataque que ele já viu jogar, mesmo tendo nascido em 79. O bom curva respeita a opinião de seus companheiros curvas...

(Manifesto inacabado por motivos de curvisse maior)

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