Wednesday, December 20, 2006
vida
em que consiste minha vida? seria melhor perguntar: a que me agarro? não, a grande procura não é a fuga da morte, como muitos dos viventes gostariam de julgar; a pergunta realmente é de que consiste minha vida: quais substâncias me contém? quais partes interagem para fazer da vida, minha? será uma destas porções aquele que diz a vida deve consumir-se rapidamente? que somente na velocidade se tem a real proporção da velocidade das coisas? ou numa dessas frações estará aquela que um dia disse ser a vida algo de que se desfruta com toda a calma do mundo? aquela que de frase em frase dizia possuir o tempo do mundo? será uma dessas pessoas portadora de qualquer tipo de razão? aquele um parou na rua e com minha mão fugidia disse ser meu pai, o pai que há tempos foi-se. será que este senhor, louco, veio dizer que o tempo, assim como ele, apresenta-se com cara de louco? que o tempo zomba daqueles uns tais que como eu correm correm correm, loucos para alcançar um tempo que corre corre corre, e que ambos, tendo ou não tempo, loucos, nunca alcançarão nada? será que a vida segue quando fecho meus olhos, e durmo? procrio e garanto meu sangue numa terra um dia minha, porém basta um sábado a contra gosto para os filhos de meus filhos terem estórias suficientemente escabrosas para maldizerem meu nome por gerações: o criador passado e o ser maldito. tens um fim, meu filho: nessa vossa visão limitada, tudo tem fim. e o nada, tem um começo? donde vem esse tudo do qual enches a boca pra falar? se te mostras anjo, pai, é porque conheces bem a aparência do demônio. então não venha, meu caro, com suas filosofias de subúrbio, esperando que eu creia e tema. sigo a estrada sem ao menos vê-la, e cruzarei pontes pelo simples prazer de não tê-las sob os pés. das crenças e dos temores do mundo, basta-me a vida, que põe à prova quaisquer princípios e valores. valho meu peso e peso com cuidado as cargas deixadas pelo caminho, pois se me apresentarem balanças, saberei flutuar.
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