Wednesday, December 20, 2006

filho

filho, a você não posso dar mais do que clichês: o clichê de dizer tudo quanto fosse, tempo fosse, tudo, te daria. mais uma vida tivesse, passaria ao teu lado; e teus olhos tímidos. no medo, daria-te calma; na fuga, daria-te ombro; no fim, um qualquer início. nas lágrimas, mais palmadas. que pra teu arredio, mesmo no meu pior, um colo tinha. da imaginação distante, o nada toma vida: as cores são cores, os erros, eu perdôo; se apenas ao teu lado. morto, com lembrança do pai que não pôde. filho, meus braços não te alcançam, tampouco as palavras de ordem têm efeito e, ainda assim, quero ver-me em ti. do lado de cá, longe, impotente, vejo tua vida indo atrás do meu caminho, onde orgulho e pesar se misturam quando, com teus pés, viro menino e afundo os passos com alegria em pegadas um dia pisadas com cautela. e por quê agora terias cautela? filho, a verdade é que hoje meus passos não deixam mais pegadas. meu traço acabou-se no fim de uma linha tênue, linha que segui sozinho com medo de que você se machucasse - se antes soubesse o que sei agora! filho, fui embora antes que pudesse te olhar de homem pra homem, e hoje você é mais homem do que todos os homens que eu poderia ter sido. orgulho de fazer parte, pesar, por não fazer mais parte. hoje, as pegadas são apenas tuas. e deixo-te, feliz.

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