Doeu quando ela disse o que passara não tinha sido brincadeira.
Ali soube o fim ganhava voz e apenas eu ouvia.
E era ela o gato preto no muro da esquina, era dela a lama na pegada fria do caminho frio e da folha marrom que lentamente caiu, brilhou seu sorriso. A cama mais vazia chora agora uma lágrima amarga e afogo.
Vê-me no carro que passou veloz? sente meu cheiro quando sai do banho e se enrola na toalha que foi um dia chão? dorme ofegante enquanto pouso leve em sua coxa?
Venço o medo e saio e a procuro por entre prédios, pelas vielas, nos viadutos que me levam sempre de volta. Caminho por países vazios e salas cheias de gente, vasculho emoções partidas de pessoas em busca de afago e acabo em fundos de copos sujos, em botecos sujos, em noites cada vez mais sujas.
Joguei cartas com o demônio e em sua casa matei deus por três vezes; da primeira perdoou-me, da segunda também; na terceira lâmina disse-me adeus, e blefei. Perdi. Na saída, dependurei minhas fichas numa parede descascada pelo tempo, ao lado das de outros apostadores que como eu nunca souberam ganhar. Tranquei a porta.
Da janela que hoje olho, olhos escuros cansados fundos vêem através de mim o que ainda resta. Virá ela ver-me?
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